O Que a Minha Mãe Me Ensinou Com Uma Banana

Como tu descascas a banana, Terráquea?

Essa é uma pergunta legítima, caso estejas te perguntando.

Quando eu podia usar as minhas próprias mãos, eu descascava do caule que se conecta ao cacho, como eu aprendi com os meus pais.

Porém, o problema era que eu odiava (ainda odeio) aquela coisinha preta na raiz, que fica no final do outro caule. Sabes do que estou falando? Espero que sim. E bem, a minha mãe me obrigava a comer até o fim — incluindo a coisinha preta.

Enquanto ela estava me ensinando uma lição valiosa, em não jogar fora comida quando há tantas pessoas famintas em todo o mundo, ao mesmo tempo era bastante opressivo. Consequentemente, durante muito tempo, eu não comia mais bananas.

Até o mês passado.

Em homenagem ao Dia das Mães, quero compartilhar contigo a última coisa que a minha mãe me ensinou.

lina-levien-mothers-day
Dia das Mães 1999

Hora da histórinha…

Minha mãe veio nos visitar e ficar mais um tempo (como ela sempre faz, já que ela ajuda a cuidar de mim) e ela trouxe bananinhas.

“Olha o que eu trouxe! Eu achei tão bonitinhas e pequenininhas que eu tive que trazer! (…) [LEIA: conversa de mãe] Mas tu tem que comer logo antes que elas fiquem maduras demais!”

Eu pensei: “Mãe! Tu sabe que eu não gosto de bananas!”

Eu sorri e respondi: “Claro, mãe. Eu vou comer.” Eu não queria ferir os sentimentos dela, e verdade seja dita, as bananinhas eram realmente um amor e eu me derreto por miniaturas e coisinhas pequenas.

Ela respondeu: “Vou te dar uma ou duas por dia pra que elas não estraguem”.

Eu pensei “Tchê, o que eu vou ter que inventar para não comer?!” ao invés disso eu respondi um simples “Uh-hum”.

No dia seguinte, ela veio toda feliz: “Vamos comer uma bananinha?!” — e já começou a descascar.

Bah, eu não tive escolha. Espertinha, mãe.

Então eu comecei a comer, já temendo em antecipação pelo fim. Eu terminei e “Hum, cadê a coisinha preta?!”.

“Ô mãe, e a coisinha preta?”, perguntei.

Ela respondeu e me mostrou: “Tá aqui. Eu aprendi no outro dia que quando tu abre a banana ao contrário, a coisinha preta fica com a casca. Tu já viu um macaco descascando uma banana? É assim que eles fazem.”

(1 minuto de silêncio)

EU FIQUEI EMBASBACADA! Literalmente me abriu os olhos! Agora eu queria comer bananas de novo!

Parece bem simples — tipo, é um “truque para descascar banana” e pode não parecer grande coisa, mas, na verdade, a moral da história é a seguinte:

Quantas experiências estamos perdendo por fazer as coisas de uma certa maneira, simplesmente porque nos foi dito?

Recentemente, eu desenvolvi o hábito de desconstruir sistemas de crenças, pensamentos… vida em geral, e quando o Episódio da Banana aconteceu, me fez refletir uma coisa muito fundamental:

A maioria das ações que realizamos não são realmente feitas por nós, estamos apenas nos espelhando.

Temos uma doce ilusão de pensar que controlamos nossas ações e como pensamos, mas na verdade, a maioria delas foi colocada dentro das nossas mentes pela mídia, pela sociedade, pelo governo — dê o nome que quiseres.

Pode ser tão pequeno quanto descascar uma banana ou tão grande quanto como tu levas toda a tua vida.

Estamos perdendo o milagre e a mágica porque vivemos no piloto automático.

Eu quero te desafiar a pensar além das ações que tu tomas na tua vida diária.

Por quê tu colocas os pés fora da cama todos os dias? Por quê tu estudas x e não y? Tu amas estudar x? Tu realmente quer trabalhar em um trabalho corporativo?

Por quê tu estás com este parceiro? Tu realmente quer ter filhos? Por quê tu precisas lavar a louça todos os dias?

Pode levar tempo para descobrires, e às vezes te sentirás confusa e como um peixe fora d’água, mas uma coisa é certa:

Tu precisas desligar todo o barulho ao teu redor para poderes escutar aquela vozinha lá dentro, que está sempre te guiando.

Eu faço isso todos. os. dias. Não é uma escolha popular, e às vezes parece que eu estou sendo julgada o tempo todo por ousar a permanecer fiel a mim mesma e fazer as coisas do meu jeito.

A verdade é que só eu sei porque eu faço as coisas de uma certa maneira — porque só eu posso sentir. No entanto, de vez em quando eu preciso ser corajosa para me perguntar o porquê.

É correto dizer que vou comer mais bananas a partir de agora! Obrigada, mamãe!

Desconstrua. Defina nos teus próprios termos. Essa é A Arte de Redefinir-se, Terráquea.

Espero que isso te sirva.

Com todo o meu amor,

Lina

P.S.: O Kiwi não precisa ser a fruta mais irritante de descascar também. Basta cortar no meio e comer a frutinha com uma colher.

lina-levien-ll-collective-pt

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